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Uma banda com prazo de validade

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Uma banda com prazo de validade

No início da década de 60, o jovem Bob Dylan, então na casa dos seus vinte e poucos anos, rapidamente se revelava um dos grandes nomes da música americana. Além do sucesso com os fãs, Dylan também era ovacionado pelos críticos. Em um curto espaço de tempo, o cantor e compositor lançou três álbuns aclamados, além do lendário hit “Like a Rolling Stone”. Para completar, revolucionou a música folk ao introduzir instrumentos elétricos em diversas apresentações, como no histórico Newport Folk Festival, em 1965.

A ascensão meteórica de Bob parecia não ter fim. Até que um acidente de moto, em julho de 1966, quase o matou, deixando-o gravemente lesionado. Para recuperar-se de seus ferimentos e fugir dos olhos do público pela primeira vez em muitos anos, o cantor aproveitou a oportunidade e se isolou em uma pequena casa (apelidada de Big Pink) em West Saugerties, Nova York.

Juntamente a seis músicos de sua banda, passou os meses seguintes no porão do local gravando mais de cem canções – covers, paródias, além de dezenas de novas composições. Mais tarde, várias destas músicas viriam a se tornar clássicos e este viria a ser considerado um período de ouro na carreira de Dylan pela crítica especializada.

Nos anos seguintes, diversas gravações não-autorizadas deste período surgiam nas lojas de vinil espalhadas pelos Estados Unidos, em um dos primeiros casos conhecidos de pirataria. No entanto, foi apenas em 1975 que a Columbia Records lançou o álbum, chamado de The Basement Tapes, com dezesseis faixas.

Durante os mais de 40 anos que se sucederam, porém, todas as outras faixas escritas por Bob Dylan e seus parceiros no período foram se perdendo entre folhas e arquivos antigos, sendo lentamente esquecidos.

Até que o editor de Dylan, por um acaso do destino, encontrou uma caixa com todas as antigas composições, muitas das quais jamais haviam sido gravadas.

As letras foram oferecidas ao produtor T Bone Burnett que, com o aval de Bob, reuniu uma banda com músicos de diferentes talentos e estilos, baseados em seus perfis e interesse em “arqueologia musical”, como ele mesmo define: Jim James, Elvis Costello, Marcus Mumford, Taylor Goldsmith, Rhiannon Giddens e Johnny Depp.

O nome escolhido? The New Basement Tapes.

A cada membro do grupo, foram enviados os manuscritos de Dylan, para que eles viessem com ideias de melodias e arranjos. Mais tarde, a banda se reuniu durante duas semanas em um estúdio, onde gravaram 40 faixas. Destas, metade foi escolhida para ser lançada.

O primeiro álbum da banda, Lost On The River, lançado em 2014, é um dos maiores tributos a um dos mais influentes nomes da música como a conhecemos, vencedor de diversos Grammy’s e até um Prêmio Nobel de Literatura, justamente pela sua obra como compositor. Para quem é fã de Bob Dylan e suas letras, o play é obrigatório: