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Como conseguir uma boa qualidade de som

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Como conseguir uma boa qualidade de som

Para garantir que sua experiência auditiva seja a melhor possível, você precisa se preocupar com basicamente duas coisas: o aparelho de reprodução e a mídia. Sobre o aparelho de reprodução, que pode ser, por exemplo, um fone de ouvido, já falamos. Hoje, vamos falar sobre a mídia.


 

Antigamente, as mídias, que nesse caso são os meios que carregam informações sonoras, eram apenas analógicas, como o vinil. Entretanto, apesar de ouvir um disco poder ser uma experiência extremamente prazerosa, esse tipo de tecnologia possui problemas inerentes que não podem ser contornados, como ruídos, rápida deterioração e baixo alcance dinâmico.

Os formatos digitais vieram tanto para resolver esses problemas quanto para fornecer uma maneira mais conveniente de tocar e ter acesso às suas músicas. Mas a variedade dos formatos digitais, assim como a quantidade de meios para tocá-los (CDs, arquivos baixados, streaming, e por aí vai), deixa uma pergunta: como fica a qualidade de som? Com o que devo me preocupar se quiser ter a melhor experiência possível?

Em primeiro lugar, é importante fazer uma diferenciação: existe a qualidade que a mídia é capaz de proporcionar, e a qualidade da gravação. Por exemplo: de nada adianta você ouvir um formato de altíssimo nível, como uma fita de rolo, se a qualidade da gravação em si – ou seja, dos instrumentos, da captação e, principalmente, da mixagem e masterização no estúdio – for ruim. O resultado não será bom. Da mesma maneira, a melhor gravação do mundo não ficará boa num mp3 de baixa qualidade.

 

SE A GRAVAÇÃO NÃO FOR BOA, NÃO HÁ MUITO O QUE PODEMOS FAZER A NÃO SER RECLAMAR COM O ARTISTA. FELIZMENTE, PORÉM, DOS ARQUIVOS, TEMOS CONTROLE.

O vinil, como já dito, é um formato com problemas fundamentais, mas costuma ser uma experiência nostálgica muito agradável. Já os formatos digitais, como o CD, são capazes de uma altíssima qualidade de som, mas há muito tempo acontece uma “competição” entre as gravadoras, conhecida como Loudness War, para ver quem faz a gravação mais alta e que, consequentemente, chama mais atenção no meio de outras músicas. O problema disso é que a qualidade de som sofre muito, tornando-se cansativa e estridente. Compare os ótimos Abbey Road, dos Beatles, ou o Random Access Memories do Daft Punk ao Californication do Red Hot Chili Peppers ou ao My Beautiful Dark Twisted Fantasy do Kanye West – e veja como os dois últimos são muito mais agressivos, embolados e cansativos, principalmente quando comparados à espacialidade e suavidade dos outros dois álbuns.

De qualquer maneira, por melhor ou pior que seja a gravação, podemos tomar alguns cuidados para garantir, ao menos, que os arquivos que ouvimos são de boa qualidade. CDs são um formato fechado, e que já fornecem uma ótima qualidade por natureza. Mas, quando são transformados em arquivos em um computador, precisamos de atenção. O mp3, assim como outros formatos de arquivos de música, comprime o arquivo usando técnicas que podem degradar sua qualidade de som, a níveis mais ou menos perceptíveis, dependendo principalmente da taxa de bits por segundo. Quanto maior essa taxa, melhor – e a maior possível é 320kbps.

Para a vasta maioria das pessoas, um mp3 bem codificado a 320kbps é indistinguível do áudio de um CD, porque é uma compressão que elimina frequências que para elas é inaudível. Antigamente, a taxa mais comum era 128kbps, que já traz uma queda significativa na qualidade da reprodução, mas em um tempo de internet lenta, o menor tamanho do arquivo fazia com que ele fosse mais rápido para ser baixado e copiado. Hoje, se você for baixar um arquivo, procure versões a 256kbps ou mais. Em serviços de compra de música, como o iTunes, esse costuma ser o padrão. Há também os formatos lossless, como o FLAC ou o ALAC, que usam compressões que não degradam a qualidade de som – apresentando, portanto, qualidade igual ou maior do que a de um CD. Porém, o tamanho do arquivo ainda é muito maior e, para a maioria das pessoas, a diferença entre um FLAC e um mp3 a 320kbps não será notada. Então pode ser um desperdício de espaço no seu computador.

Com o streaming não é tão simples, porque esta tecnologia nada mais é do que um download temporário de um arquivo que geralmente é feito por um celular – que não necessariamente tem acesso a redes tão rápidas e que deve se preocupar com o consumo da franquia de dados do usuário. O Spotify, por exemplo, trabalha com o formato Ogg Vorbis em três taxas de bits por segundo: 96kbps (chamada pelo serviço de “Normal”), 160kbps (“Alta Qualidade”) e 320kbps (“Qualidade Extrema”). Então, se você quiser a melhor qualidade possível, tenha certeza de que selecionou “Qualidade Extrema” nas configurações da “Qualidade do Streaming”, tanto para o download quanto para a transmissão, mas tenha em mente que o serviço pode ficar mais lento e certamente consumirá mais dados do seu celular.

E, hoje, existem serviços que oferecem uma qualidade ainda maior, como o Tidal Hi-Fi, que faz streaming de arquivos lossless, sendo portanto o serviço preferido do público audiófilo. Contudo, para a vasta maioria das pessoas, isso não fará diferença.

Esperamos que você agora entenda um pouco mais sobre a qualidade dos arquivos. Fique ligado porque, em breve, teremos novas matérias como essa no ar!